Um campeão nacional, reprodutor da raça Dorper que só faz bonito em feiras e exposições. O orgulho dos donos. Desta vez, o Buriá 783 não está a caminho de mais uma monta de sucesso. O reprodutor de quatro anos vai fazer um exame de laboratório porque, nos últimos cruzamentos, o resultado não agradou.
“Esse reprodutor está sendo testado de maneira periódica, a sua qualidade seminal, por conta de ter estado num lote de fêmeas e algumas terem repetido cio. A gente percebe que o sêmen se encontra ralo, com consistência aquosa e a cor está bem clara”, diz a veterinária Jaciara Campos.
A veterinária faz esse trabalho em várias fazendas da região e, no caso do Buriá 783, o motivo da queda de performance ainda é um mistério. “Vários fatores de manejo e também fatores relacionados à maturidade do animal, a idade, mas fatores como o clima, stress no momento, o manejo nutricional”, diz.
Os donos do animal estão ansiosos pelo resultado. Há 10 anos, os irmãos Luiz e Eduardo Teixeira trouxeram embriões da África do Sul e montaram um centro de melhoramento genético da raça Dorper aqui na fazenda Jataí, no município de Senhor do Bonfim, norte baiano.
Os animais pastam num cenário lindo. Eles formam um rebanho bem homogêneo e não deixam dúvida para Luiz que a escolha do Dorper foi acertada. “Uma raça de alta produção de carne, rusticidade, adaptabilidade e precocidade. Tudo o que se quer para um reprodutor pra carne. ." name="description" />
A Bahia tem o maior rebanho de cabras do Brasil e o segundo de ovelhas. Perde só para o rio grande do sul. Apesar disso, a maioria dos animais não tem genética apurada, nem raça definida.
ora, um projeto no norte da Bahia está incentivando pequenos criadores a investir no melhoramento do plantel.
Os repórteres Priscila Brandão e Sandro Queiroz foram conhecer esse trabalho.
Um campeão nacional, reprodutor da raça Dorper que só faz bonito em feiras e exposições. O orgulho dos donos. Desta vez, o Buriá 783 não está a caminho de mais uma monta de sucesso. O reprodutor de quatro anos vai fazer um exame de laboratório porque, nos últimos cruzamentos, o resultado não agradou.
“Esse reprodutor está sendo testado de maneira periódica, a sua qualidade seminal, por conta de ter estado num lote de fêmeas e algumas terem repetido cio. A gente percebe que o sêmen se encontra ralo, com consistência aquosa e a cor está bem clara”, diz a veterinária Jaciara Campos.
A veterinária faz esse trabalho em várias fazendas da região e, no caso do Buriá 783, o motivo da queda de performance ainda é um mistério. “Vários fatores de manejo e também fatores relacionados à maturidade do animal, a idade, mas fatores como o clima, stress no momento, o manejo nutricional”, diz.
Os donos do animal estão ansiosos pelo resultado. Há 10 anos, os irmãos Luiz e Eduardo Teixeira trouxeram embriões da África do Sul e montaram um centro de melhoramento genético da raça Dorper aqui na fazenda Jataí, no município de Senhor do Bonfim, norte baiano.
Os animais pastam num cenário lindo. Eles formam um rebanho bem homogêneo e não deixam dúvida para Luiz que a escolha do Dorper foi acertada. “Uma raça de alta produção de carne, rusticidade, adaptabilidade e precocidade. Tudo o que se quer para um reprodutor pra carne. Essa raça já era sucesso na Austrália e a gente foi procurar na África do Sul, o país de origem, que tinha uma condição climática muito similar a nossa caatinga”, diz Luiz.
Reunimos o campeão, aquele do exame, com alguns de seus filhos. Parecem gêmeos, mas não são. Os machos têm de quatro a cinco meses e são resultado de cruzamentos com matrizes diferentes. A prova de que as características do pai são fortes é inegável.
“O selecionador busca reprodutores que consigam imprimir suas características nos seus filhos, que é o principal de um reprodutor que inicialmente você escolhe pelo fenótipo, ou seja, pela beleza, expressão racial dentro de um padrão racial. E principalmente depois, garantindo que seus filhos vão seguir a mesma linha do pai. É claro que a gente tem que ofertar a chance de um melhor animal com uma melhor fêmea pra conseguir esse resultado, é o esperado”, conta Luiz.
O trabalho de melhoramento animal requer muita observação. Periodicamente, é feita uma pontuação dos lotes. As crias são avaliadas para se descobrir quais foram os melhores acasalamentos e o que é preciso mudar para aperfeiçoar as características da raça nas próximas montas. Na pontuação, os animais recebem notas três, quatro ou cinco, sendo cinco a excelência da raça.
“Pelo visual você já vê uma harmonia, um balanço, quer dizer, você tem um animal completamente harmônico dentro do padrão racial. Essa é uma top. Essa será uma top, espero que ela se desenvolva como top”, conta Luiz.
Além dessa análise dos cruzamentos, o manejo do plantel é rigorosamente controlado. Os filhotes ficam juntos com as mães, as barrigas de aluguel, mas para não ter que competir por comida, eles recebem uma suplementação em cochos separados. A ração que o rebanho come é feita na fazenda.
“Aqui a gente tem várias formulações de ração de acordo com a categoria. Fêmeas têm um tipo, fêmeas paridas têm outro tipo de ração. Os borregos nascidos até os 90 dias têm outra formulação. Os machos também têm outra. Cada categoria tem a sua formulação. Isso é preparado por um veterinário que dá essa dieta balanceada”, diz Eduardo.
“Farelo de milho, farelo de soja, um núcleo de minerais, no caso dos machos que entraria o calcário, o cal cítrico e cloreto de amônia pra evitar o cálculo renal desses animais. A dieta é de feno e a ração, e, nas épocas mais secas, a gente complementa com a palma”, completa.
Um borrego da fazenda Jataí pode custar de R$ 2.000 a R$ 10.000, dependendo da qualificação do animal. Valor que pequenos criadores como o seu João da Silva Neto, por exemplo, dificilmente podem pagar, mas não é que o seu João também está fazendo melhoramento animal na propriedade dele?
Seis anos atrás, o seu João resolveu largar o campo. Decidiu ir pra cidade de Senhor do Bonfim trabalhar como motoboy, mas, passados três anos, percebeu que podia voltar pra cá. Por que, seu João, o senhor resolveu voltar? “Resolvi voltar porque eu vi que aqui no campo era melhor pra mim do que na cidade. Porque na cidade o serviço era muito perigoso, era muito arriscado, aí eu percebi que na roça dava melhor pra mim”, diz o criador.
João conseguiu um trabalho na fazenda Jataí e com o salário comprou dez ovelhas de raça Santa Inês até que o Eduardo sugeriu que ele cruzasse suas ovelhas com um puro sangue da fazenda, de graça. “Aí foi muito melhor, achei que foi melhor, que já nasceu umas coisas melhores, mais apuradas, já de raça, o Dorper, né? Aí consegui o meio sangue e aí já foi melhor um pouco. Eu vendi uns borregos de seis meses, eu vendi a R$ 300, até R$ 500 eu já vendi. E o Santa Inês, provavelmente o Santa Inês, eu vendia um borrego de seis meses eu vendia por R$ 70. Ele, com seis meses, ele ia pesar 10 kg, e um Dorper desse aí, se eu abatesse com seis meses, ele vai me dar 20 kg, vinte e poucos quilos. Então já é uma grande vantagem que eu tenho”, diz João.
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Fonte: Globo Rural