Espaço do Bode - Publicado em 02/06/11 às 21:01:23
A comercialização de derivados de caprinos como leite, pele e, principalmente carne, produtos muito apreciados não só no Nordeste, mas em outras regiões do país, cresce a cada ano. Em Petrolina – PE, por exemplo, uma área turística conhecida como Bodódromo reúne restaurantes especializados em pratos típicos derivados de caprinos e ovinos.
Isso é possível porque a região detém o maior rebanho de caprinos e ovinos do país (17 milhões de cabeças), dispondo de condições naturais para incrementar ainda mais esta atividade tão importante para a economia de muitas famílias sertanejas. No entanto, apesar de todo o potencial produtivo, os pequenos criadores de cabras e ovelhas do Semiárido ainda não estão bem articulados para ampliar a cadeia produtiva da caprinovinocultura. Muitos ainda não beneficiam seus produtos, nem detém certificações de qualidade, o que poderia agregar mais valor a produção.
Na perspectiva de potencializar a cadeia produtiva da caprinovinocultura, praticada na região norte da Bahia, órgãos do Governo do Estado, em parceria com o Sebrae, Banco do Brasil, com o apoio de algumas instituições de pesquisa, e com a participação de grupos de produtores, estão prevendo investimentos para melhor desenvolver esta atividade. Os recursos podem chegar a 10 milhões de reais em pouco mais de 05 anos. Para tanto, esses atores envolvidos em projeto estão elaborando um programa estratégico chamado: Programa de Inclusão da Caprinovinocultura do Semiárido da Bahia no Bioma Caatinga.
A pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), participante do Programa, Claudia Souza, afirma que muitos produtos derivados da criação de cabras e ovelhas como pele, queijos e iogurtes ainda não tem uma presença forte no mercado consumidor do país por falta de estruturas que melhorem a qualificação desses produtos numa perspectiva mais comercial, como prevê o programa.
Nesta perspectiva, através de seus projetos, a exemplo do Recaatingamento, patrocinado pela Petrobras, o Irpaa vem realizando formações que incentivam comunidades agropastoris do sertão baiano a investirem ainda mais na criação desses animais na caatinga. A atividade, que visa o desenvolvimento socioeconômico das famílias rurais de forma sustentável é adequada às condições climáticas da região, o que reflete diretamente na qualidade dos produtos derivados desta prática bastante comum na caatinga.
Umbuzada.com – Informação em 1º lugar!
Outras informações:
IRPAA: www.irpaa.org (74) 3611-6481
www.recaatingamento.org
Espaço do Bode - Publicado em 21/05/11 às 10:09:35
Esta semana, o presidente da Cooperativa dos Empreendedores Rurais de Cacimba do Silva e Região, Márcio Irivan, esteve no Sebrae, em Juazeiro, para buscar uma declaração e justificar a ausência na escola onde estuda, durante os próximos dias. O criador de caprinos e ovinos é um dos doze integrantes da missão brasileira que seguirá até a Nova Zelândia para conhecer o modelo da ovinocultura de corte e leite praticada no país. Os participantes da missão representam redes empresariais de produtores e frigoríficos que atuam na Bahia. Na Nova Zelândia, eles vão observar e registrar práticas de integração das cadeias produtivas, além de técnicas de produção adotadas no país que tem uma área geográfica equivalente à metade da Bahia, possui 7% da produção mundial de carnes ovinas, mas controla 51% do comércio mundial de cordeiros.
A missão internacional é uma das ações do Progredir (Programa de Fortalecimento da Atividade Empresarial), em que atuam Sebrae, governo do estado, através da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, IEL (Instituto Euvaldo Lodi) e BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). “Essa viagem é uma grande oportunidade para que os nossos produtores analisem as melhores práticas neozelandesas e conheçam referências para a estruturação da cadeia produtiva, através de ações de acesso a mercado, cooperação, governança, certificação de produtos, gestão, inovação e estratégias de marketing”, diz o coordenador do Progredir no Sebrae, Júlio Chompanidis.
O Sebrae está enviando a gestora de projetos da unidade de Juazeiro, Audeni Aquino, como representante da instituição nessa missão internacional. Ano passado, o gestor Robério Araújo participou da primeira ida à Nova Zelândia e trouxe boas experiências. “Nós não buscamos semelhanças entre os negócios, porque são realidades diferentes, mas podemos entender como a profissionalização da cadeia é imprescindível para qualquer modelo de produção”, justifica.
Entre as atividades na Nova Zelândia, estão visitas a propriedades rurais, empresas de planejamento e design de plantas frigoríficas, de produção genética, frigoríficos, escolas, universidades e destinos turísticos ligados à cadeia produtiva de ovinos. O grupo sai do Brasil neste sábado, 21, e retorna no dia 29. Experiências como essa foram determinantes para o retorno do produtor Márcio Irivan à escola, depois de 25 anos sem estudar. Este ano, ele conclui o nono ano do ensino fundamental e tem o prazer de dividir a sala com o filho mais velho. “O mercado exige conhecimento e eu não posso ficar pra trás”, diz o produtor que ainda vai precisar de tradução do inglês na Nova Zelândia, mas talvez bem menos nas próximas oportunidades.
Participantes da missão: Rede Associativa Empresarial Genética de Senhor do Bonfim, Rede Asssociativa Empresaria da Fazenda Icó – Juazeiro, Rede de Criadores e Fornecedores de Caprinos e Ovinos da Bacia do Jacuípe, Rede de Associações de Criadores de Caprinos e Ovinos do Território de Irecê, Cooperativa Agroindustrial de Pintadas Ltda, Cooperativa dos Empreendedores Rurais de Jussara, ABATAL – Abatedouro Almeida Ltda, Baby Bode – Empreendimentos Agropecuários Ltda, Frigorífico LAMM – Ovinos e Caprinos, Sebrae, Áries Reprodução e Melhoramento Genético Ovino Ltda.
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Juliana Souza Ascom Sebrae
Espaço do Bode - Publicado em 19/05/11 às 16:01:37
Na Cabanha Hapar, em Araçatuba, no noroeste de São Paulo, uma centena de cordeirinhos de pelagem preta-e-branca se ocupa de conhecer os limites do piquete, saltar pelo terreno, buscar água nos bebedouros, ração nos comedouros. Os filhotes se espalham por uma área do que até pouco mais de dois anos foi o haras - já meio ocioso nos últimos tempos - do avô de Henrique de Almeida Prado de Aguiar Ribeiro. Com o aval da família de pecuaristas, o jovem fez renascer a propriedade através da ovinocultura, e usou as iniciais de seu nome 'quatrocentão' para rebatizá-la.
Sem dar trégua ao fumo de mascar, Henrique descreve como é o manejo dos animais. No final do dia, já junto às mães, conta ele, os cordeiros meio-sangue da raça dorper podem mamar à vontade, até a manhã seguinte, quando as ovelhas voltam ao pasto. "Com essa estratégia, eles vão aos poucos se acostumando ao novo alimento e a ficar sem as mães, o que provoca menos stress no desmame", afirma. Henrique explica que, uma vez desmamados, os machos seguirão para um confinamento a uns poucos quilômetros de distância, juntando-se aos cordeiros de outros produtores da região. Já as fêmeas permanecem ali mesmo; mais tarde, irão receber sêmen dorper, integrando assim o programa de produção de reprodutores e matrizes da raça desenvolvida na África do Sul, a mais recente fonte de renda da propriedade.
A rotina de criação na Cabanha Hapar resume, em boa medida, as estratégias que têm sido adotadas pela ovinocultura em São Paulo - e que também já rendem frutos para a atividade em todo o país. Investimentos em genética e em cruzamentos industriais, assim como a adoção de procedimentos diferenciados de manejo e de comercialização, estão entre os fatores que têm dado maior vigor aos balidos nos campos paulistas. A voz de carneiros, ovelhas, borregos e cordeiros - ou seja, de toda a família dos ovinos - vem se popularizando pelo interior do estado e já soa mais forte no panorama agropecuário nacional.
Há quem sustente que o rebanho de São Paulo já beire um milhão de cabeças. Não é o que diz o IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística: os dados apurados pelo Censo Agropecuário 2006 indicam um volume que mal chega à metade disso. Pelas informações oficiais, a quantidade de animais em todo o território paulista é menor do que a soma das populações de ovinos em Santana do Livramento e Rosário do Sul, na Campanha gaúcha, ou igual à da região baiana de Euclides da Cunha (que inclui Uauá, a "capital do bode", mas que também poderia ser a capital do ovino deslanado), só para citar dois exemplos nos estados onde estão os mais volumosos e tradicionais rebanhos brasileiros.
Mas não é a quantidade que tem feito a ovinocultura paulista tomar corpo. "O rebanho em São Paulo cresceu 75% nos últimos dez anos, já é o sétimo em tamanho no país, mas o mais importante é que este é um dos locais onde a cadeia de produção está mais estruturada", afirma Arnaldo dos Santos Vieira Filho, o Dindo. Dividindo-se entre uma meia dúzia de cargos e atividades ligados ao segmento - entre eles, o de presidente da Associação Paulista de Criadores, a Aspaco, e o da câmara setorial do estado, além de produtor e dono de loja de artigos para ovinos -, o que lhe obriga a passar quase o tempo todo com o celular em punho, Vieira Filho é, realmente, uma espécie de padrinho do setor. Criador desde 1999, é um entusiasta da ovinocultura no estado. "Nessa última década, muita gente percebeu que os ovinos são uma boa alternativa para as propriedades paulistas, pois oferecem boa rentabilidade por área, ciclo curto, giro rápido e aproveitamento de terrenos marginais", enumera Dindo.
Vieira Filho ainda afirma que, ocupando áreas caras e pequenas, a atividade em São Paulo tende a se concentrar na produção de genética e de carne de altíssima qualidade, em sistemas intensivos de criação.
O presidente da Aspaco sustenta que o ovino foi o primeiro animal a ser domesticado pelo homem. "Só que sua carne sempre foi deixada em segundo plano em relação à pele e à lã", afirma. O produto, entretanto, estaria atravessando um momento de grande valorização, sobretudo a carne jovem e macia de cordeiro.
"No Brasil, há quem estime o consumo por habitante em 700 gramas por ano, enquanto outros já falam em 1,5 quilo; de qualquer modo, os números refletem um grande consumo reprimido, pois não há carne suficiente para atender à demanda", diz. Arnaldo Vieira Filho, lembrando que, somente em São Paulo, 60% do mercado é suprido por produto importado. "Parte disso vem da Argentina, mas a maioria tem origem no Uruguai e nem sempre é de qualidade: muitas vezes é proveniente de animais refugados da produção de lã", afirma o representante da Aspaco.
Ele admite, entretanto, que do país vizinho também chegam bons cordeiros, criados em excelentes pastagens e com custo baixo de produção. "A carne uruguaia é vilã da brasileira nos preços, mas faz um ótimo papel ao suprir o mercado e dar visibilidade ao produto, incentivando a compra. Se ela não chegasse ao país, o abastecimento poderia ser feito por carne de ovelha, por exemplo, mais dura e gordurosa, o que faria o consumo per capita andar para trás", afirma. "Ruim com a carne uruguaia, pior sem ela."
Arnaldo Vieira Filho acredita que o Brasil possa vir a se tornar um dos grandes produtores mundiais de carne de ovinos, como já é de bovinos e aves. Mas ele afirma que, como toda atividade nova, a ovinocultura ainda enfrenta entraves e carece de ajustes. "A cadeia ainda está em organização, e necessitamos de maior produção. Mas há interesse de todos os elos em melhorar essa situação, dos produtores aos institutos de pesquisa, dos fabricantes de ração aos frigoríficos. E é em São Paulo onde essas ações são mais visíveis."
Um dos obstáculos ao desenvolvimento do setor, segundo ele, é a comercialização. Geralmente sem ter quantidade e regularidade para ofertar aos frigoríficos, os criadores padecem com a baixa lucratividade na venda de cordeiros ou até com a impossibilidade de colocação da produção. Esse impasse começou a ser superado com uma ação da Aspaco, que incentivou seus associados a vender cordeiros conjuntamente aos abatedouros. Com maior volume de animais, o poder de negociação melhorou, o frete diminuiu e os preços foram mais justos do que quando cada ovinocultor oferecia separadamente suas crias. "Há algum tempo tenho feito palestras pelo país relatando as experiências da associação, e agora vejo outros criadores seguindo esse exemplo, como grupos de Mato Grosso do Sul", diz Vieira Filho.
Um passo mais largo em prol da comercialização começou a ser dado há pouco mais de um ano, com o início das operações dos confinamentos coletivos. Seis dos 16 núcleos de produtores da Aspaco já mantêm áreas onde se terceiriza a engorda de cordeiros dos associados. A maior delas está em Araçatuba. No município paulista que já foi chamado de terra do boi gordo - e que hoje está mais para terra da cana-de-açúcar -, centenas de borregos multicores ocupam as diversas divisões de uma antiga instalação, erguida há 60 anos para receber boiadas vindas de Mato Grosso. Quando os bichos se alinham nos comedouros, assim que a ração é renovada, é possível perceber que, se lhes falta uniformidade na cor da pelagem, em razão da variada composição racial, eles estão parelhos em tamanho e peso.
Ao serem trazidos por seus proprietários, os cordeiros passam por uma seleção, durante a qual são vistoriados, pesados e identificados. Em seguida, são distribuídos em baias de acordo com suas características - os maiores de um lado, os mais leves de outro, fêmeas mais adiante, os mais novinhos em outra divisão, etc. Passam então a conviver apenas com animais muito similares, recebendo ração balanceada (do tipo total, que já contém volumoso) até atingir o peso de abate, acima dos 30 quilos. "Na propriedade do criador, um bicho pequenininho vai sempre continuar assim, pois terá que disputar o cocho com animais maiores", comenta Guilherme Cazerta Lemos, diretor do confinamento do núcleo de Araçatuba.
Seja qual for o tamanho do lote do ovinocultor - de 100, dez ou dois animais -, todos são bem-vindos. "Mas os cordeiros precisam ser dente-de-leite, desmamados, vermifugados e vacinados contra clostridiose", ressalva o diretor. Ele afirma que os animais passam em média 60 dias no confinamento coletivo, mas não há peso mínimo para sua aceitação. Feita a entrega para o frigorífico, o valor da venda é repassado aos produtores, descontando-se o preço da "estadia". Para cada cordeiro, é cobrada uma taxa de 75 centavos de real por dia de permanência no confinamento. "Não é barato, mas é muito interessante para o criador, que assim não precisa comprar ração e tem colocação garantida do produto, no momento em que ele está pronto para o abate", diz Vieira Filho. "A principal vantagem é que isso permite que eu tire logo os animais da propriedade, liberando áreas para outras atividades e diminuindo a necessidade de mão-de-obra", diz Henrique Ribeiro, da Cabanha Hapar.
O diretor do confinamento lembra que dar finalidade comercial a um rebanho de ovinos ainda é relativamente recente. "Ainda é muito comum um vizinho pedir a outro um cordeirinho, dar o bicho de presente etc." Lemos conta que recentemente manteve um grupo de dez animais no sítio do sogro, mas só pôde levar seis ao confinamento. "Quatro viraram churrasco. E, se demorasse mais tempo para trazer os demais para cá, outros teriam o mesmo destino", brinca.
Um dos principais clientes do confinamento coletivo de Araçatuba é o frigorífico Cordeiro Brasileiro, de Presidente Prudente, SP. "Essa ação é muito importante porque precisamos de carcaças padronizadas", afirma Silvio César Oliveira, administrador da empresa. "Nosso produto segue para restaurantes e redes de supermercados, que exigem peças de mesmo tamanho". O frigorífico, que opera há três anos e abate uma média de 700 animais por mês, é uma das primeiras plantas paulistas construídas especialmente para ovinos. Além de comercializar peças tradicionais como pernil e paleta, o Cordeiro Brasileiro também trabalha com produtos diferenciados, como picanha e "french rack", um corte especial da costelinha. A empresa também está se verticalizando: ao lado do abatedouro, já está em fase final de construção uma agroindústria, que no segundo semestre deverá produzir lingüiça, almôndega, espetinho, kafta e até um "kit buchada", vísceras já temperadas para preparar o famoso prato nordestino.
"Optei por começar a operar o frigorífico já com o SIF, para abrir mais portas no mercado e vender a qualquer parte do país", afirma Oswaldo Athia, dono da empresa. O médico aposentado conta que passou a criar algumas cabeças de ovinos em sua chácara de lazer apenas para "manter a grama baixa". Só que não houve grama nem espaço suficientes para o plantel, que acabou por se multiplicar em mil fêmeas confinadas, levando-o a montar o frigorífico para abater os cordeiros produzidos. A criação foi deixada de lado, porém, elaborando-se um projeto para a produção integrada de ovinos com criadores do Pontal do Paranapanema, no extremo oeste paulista, mas que também não foi adiante.
Hoje, o frigorífico é abastecido por propriedades que estão num raio de 300 quilômetros de Presidente Prudente, o que engloba áreas dos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul. "A falta de cultura comercial para atividade faz com que a qualidade geral do rebanho ainda seja baixa", diz Athia. De acordo com o administrador Oliveira, o frigorífico só adquire animais que sejam pelo menos semiconfinados, com peso entre 28 e 40 quilos, idade de até oito meses e provenientes de raças lanadas destinadas à produção de carne ou de cruza com deslanadas.
Todos esses quesitos são obedecidos pelo núcleo de criadores de Araçatuba, que recebe um preço diferenciado no mercado, de 102 reais por arroba. "Essa ação do confinamento coletivo é muito inteligente, pois, de um lado, resolve o problema de criadores que não têm volume, e, de outro, fornece matéria-prima de melhor qualidade aos frigoríficos", diz Valdomiro Poliselli Júnior, uma voz forte da ovinocultura empresarial em São Paulo. Sua empresa, a VPJ Pecuária, atua, por exemplo, na produção de alta genética da raça dorper, trazendo para as instalações no município paulista de Jaguariúna sêmen importado da África do Sul e embriões coletados numa criação própria na Austrália. A VPJ também tem um frigorífico que abate mil cordeiros por mês, restringindo-se a animais que tenham ao menos 50% de sangue dorper e no máximo 150 dias de vida.
"Iniciativas como as dos núcleos de produtores são importantes e demonstram bons resultados; já comprei muito animal produzido por eles", diz Poliselli. O empresário afirma que a ovinocultura é uma opção valiosa para pequenas propriedades e para áreas quebradas, onde não é possível trabalhar com a cana, por exemplo. "A demanda de mercado é muito interessante para um estado onde as atividades dificilmente remuneram o valor das terras", acredita.
"Mas a verdade é que ainda é grande a falta de padronização dos cordeiros nos criatórios". Poliselli explica que para obter os produtos que levam a marca Cordeiro Prime VPJ, presente em restaurantes e redes de supermercado como Muffato e Wal-Mart, necessita de "picanhas todas iguais, carrés todos com a mesma bitola". "Para chegar ao cordeiro padronizado, é preciso pensar antes na padronização das mães", afirma.
Em busca dessas características, a VPJ vem montando um projeto de integração com criadores gaúchos desde 2005. Poliselli espera fechar este ano com a contratação de 15 mil ovelhas de cerca de 30 integrados para produzir cordeiros dorper cruzados. "O diferencial no Rio Grande do Sul é a tradição dos produtores, que têm fazendas equipadas e rebanhos padronizados, de onde sairão cordeiros mais homogêneos", diz o empresário.
A expansão da ovinocultura em São Paulo também vem provocando um rearranjo na pesquisa do setor. O Instituto de Zootecnia, órgão ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado, está lançando o Programa de Consolidação da Ovinocultura. A idéia básica é ter um projeto único de pesquisas ligadas à atividade, racionalizando recursos e levando os resultados mais rapidamente aos criadores. "Temos estações do instituto que atuam nessa área há muito tempo, como a de Itapetininga, que lida com ovinos há 40 anos, e Nova Odessa, há 20", afirma o pesquisador Eduardo Cunha. "Mas hoje já existem pelo menos outras dez unidades entrando na ovinocultura por demanda de produtores."
Com o programa, Cunha acredita que serão evitadas repetições de pesquisas, e, por outro lado, serão reforçadas linhas mais adequadas a cada região. "Itapetininga, por exemplo, irá trabalhar com sistema silvo-pastoril, pois há muitas áreas de eucalipto por ali", diz. "Já em Gália, onde existem pequenos produtores ligados à sericicultura, a pesquisa irá investigar o uso de amoreiras (usada na alimentação do bicho-da-seda) como suplementação para ovinos, assim como em Assis serão estudados com a mesma finalidade os resíduos de trigo, milho e soja."
O Instituto de Zootecnia realiza cerca de cinco dias de campo anualmente sobre a atividade. "A demanda por informação é crescente e mudou muito nos últimos anos, exigindo, por exemplo, animais mais bem acabados e precoces", diz Cunha. O próximo evento sobre o setor está marcado para 14 de maio, quando a estação de Nova Odessa fará uma exposição sobre avaliação de carcaças e cortes especiais de ovinos. O site do Instituto de Zootecnia é www.iz.sp.gov.br.
O revigoramento da ovinocultura - e, de quebra, também da caprinocultura - pode ser comprovado neste mês num evento na capital paulista. Entre os dias 11 e 15 de março, acontece a quinta edição da Feinco - Feira Internacional de Caprinos e Ovinos, realizada no Centro de Exposições Imigrantes. Tido como o maior evento indoor da categoria na América Latina, a Feinco tem números impressionantes para ostentar: os 40 mil metros quadrados da instalação (o dobro da última edição) devem abrigar quatro mil animais de mais de 20 raças e receber um público de 25 mil visitantes. Os expositores neste ano já são 300, reunindo empresas de genética e nutrição, de insumos e máquinas, assim como frigoríficos e órgãos de pesquisa.
Durante os dias da feira, também são realizados leilões de exemplares das duas categorias animais (até o final de fevereiro, 13 remates já estavam programados), como o da VPJ, de Valdomiro Poliselli Júnior, que vai ofertar 40 fêmeas dorper de elite no dia 13. E há também um congresso internacional sobre atualização tecnológica da atividade, com uma programação sobre manejo e gestão e outro com temas técnicos.
Outro destaque da feira fala diretamente ao paladar: a Cozinha Interativa, definida pelos organizadores como uma "vitrine gastronômica". Grandes chefs da culinária italiana e brasileira prometem revelar em seus fogões, ao vivo, os segredos de preparo de pratos à base de cabritos e cordeiros. Mais informações sobre a Feinco estão no site www.feinco.com.br . Umbuzada.com – Informação em 1º lugar!
Globo Rural
Espaço do Bode - Publicado em 04/05/11 às 22:18:38
O desenvolvimento local integrado e sustentável requer a formação de uma cadeia de iniciativas e empreendimentos que, sem intervir na racionalidade própria do mercado, se complementem, maximizando as potencialidades de produção, comércio, serviços e consumos locais. Ou seja, diversidade e complementaridade são as palavras-chave. Nesse sentido, a zona caprinícola do sertão baiano do São Francisco, conhecida como a "zona do bode", parece satisfazer plenamente os requerimentos básicos para implementar um processo dessa natureza, considerando a multiplicidade de atividades que lá ocorre.
Sob o ponto de vista quantitativo, a “zona do bode” da Bahia é considerada a mais importante do Nordeste. Os municípios componentes concentram um rebanho caprino de quase 1,4 milhão de cabeças, correspondentes a aproximadamente 20% do rebanho nordestino. Dados da Embrapa Semi-Árido, ainda não publicados, mostram, contudo, que nas quatro tipologias de unidades produtivas identificadas, a receita é extremamente diversificada. Ela se origina de atividades internas (criação de caprinos, ovinos e bovinos, lavouras de sequeiro e extrativismo) e externas (venda de mão-de-obra, aposentadoria e remessa de familiares), demonstrando que essa zona não seria assim tão “caprinícola”. As receitas externas, contudo, só superam as internas no tipo mais pauperizado e a criação de caprinos e ovinos só não constitui a principal fonte de receitas internas no tipo mais capitalizado (fontes e composição da renda em anexo).
Analisada como agronegócio, a cadeia produtiva de caprinos e ovinos da região é ainda bastante incipiente, apresentando acentuadas debilidades tanto no segmento produtivo como nos segmentos transformador e distribuidor, resultando em produtos de baixa qualidade, de oferta irregular e de custos não competitivos. Falta ao caprino-ovinocultor típico da região uma visão mais objetiva do contexto econômico em que vive e das estratégias de valorização dos seus produtos capazes de lhe propiciar uma base mais segura na busca de uma maior inserção no mercado.
O que uma proposta de desenvolvimento dessa região deve privilegiar é a busca de formas de maximização da eficiência desses sistemas produtivos que impliquem, simultaneamente, maior interação entre os subsistemas dentro da unidade e desta com as demais atividades agrícolas e não-agrícolas fora da unidade produtiva. É perfeitamente possível o desenvolvimento de sistemas diversificados de base familiar, incluindo a criação de caprinos e ovinos, oferecendo ao mercado, pelo menos um dos produtos com as qualificações mercadológicas de ordem sanitária, sensorial e de uso exigidas pelo consumidor. O aumento da oferta de empregos agrícolas e não-agrícolas em um programa como esse, estará, portanto, diretamente vinculado ao fortalecimento da natureza pluriativa de sua economia e da eficiente exploração do potencial de sinergias entre os seus distintos setores. Além, naturalmente, do grande potencial para fortalecer a sua caprino-ovinocultura, a região apresenta uma série de vantagens competitivas e comparativas, capazes de fundamentar estratégias específicas para uma proposta desta natureza, merecendo ser citadas a diversidade atual de atividades e a possibilidade de integração de muitas dessas atividades com os perímetros de irrigação. O forte dispositivo institucional técnico-científico existente na região constitui um outro importante fator de apoio.
A região apresenta uma multiplicidade de atividades, algumas já consolidadas, outras ainda incipientes, porém com um grande potencial de crescimento (mapa ilustrativo em anexo). São cerca de 150 mil pessoas ocupadas apenas nos estabelecimentos rurais. Estas atividades, incluem desde o próprio sistema extensivo de criação de caprinos e ovinos, associados ou não a lavouras de subsistência (milho, feijão, mandioca), até sistemas intensivos de cultivos irrigados de fruteiras para exportação (manga e uva), passando por mineração (cobre, calcáreo, mármore, granito, pedras semi-preciosas), artesanato (couro, madeira e minério), agroecoturismo (fruticultura irrigada, vinícolas, grutas, reservas ecológicas, sítios históricos, lazer e esportes aquáticos), piscicultura (grandes açudes e rio São Francisco), além de indústrias e comércios de bens e serviços agrícolas e não-agrícolas. As grutas Toca da Boa Vista e Toca da Barriguda, em Campo Formoso, consideradas as duas mais extensas do Brasil, o sítio histórico de Canudos, o lago da barragem de Sobradinho e as inscrições rupestres da reserva ecológica da Serra do Mulato, são exemplos marcantes do potencial da região para um programa integrado de turismo com a as áreas irrigadas e de sequeiro. Até mesmo o fortalecimento das festas populares (vaquejadas, feiras, exposições) podem se constituir em valioso instrumento de geração de emprego e renda. A festa do peão boiadeiro de Barretos movimenta anualmente valor correspondente a mais de duas vezes o movimentado pelo carnaval carioca. Esse quadro de diversificação favorece sobremaneira as sinergias entre os setores primário, secundário e terciário da economia.
Existem na região quase 25 mil hectares irrigados, já em operação, e mais de 60mil em fase de implantação ou programados. A integração das atividades agropecuárias exercidas nas áreas de sequeiro com as das áreas irrigadas representa um formidável potencial de benefícios econômicos e sociais ainda hoje subvalorizado e negligenciado nos projetos públicos e privados direcionados para essas duas áreas. Na prática, já existe uma forte interdependência entre as duas situações, embora, os projetos públicos se apresentem mais como verdadeiros “ghetos” de riqueza rodeados de favelas de pobreza e de subdesenvolvimento. A fruticultura irrigada é altamente dependente do esterco da zona de sequeiro. Ela também necessita fundamentalmente da sua mão-de-obra (bacia de empregos). Outras formas de integração entre as duas áreas compreendem trocas e serviços mais qualificados que começam a proliferar (restos de cultivos irrigados para alimentação animal, podas, pulverizações, serviços mecanizados, fornecimento de carne e leite, transporte, etc.). Para o caprino-ovinocultor, contudo, a exploração dessas espécies em integração com as áreas irrigadas, na forma de cria no sequeiro e acabamento nas áreas irrigadas (confinamento, a pasto ou em consórcio com fruteiras) seria a alternativa de maiores perspectivas.
A proposta para a caprino-ovinocultura representaria a primeira etapa de um plano de desenvolvimento local (territorial), incluindo etapas subsequentes de fortalecimento integrado das demais atividades, consolidando, nesse espaço, um eixo econômico agricultura irrigada-caprino e ovinocultura-agroecoturismo-mineração. Em todas essas etapas, as ações deverão ser direcionadas para estabelecer um dispositivo capaz de não apenas exteriorizar os recursos específicos internos do território (produtos, conhecimento técnico local, rede de atores, instituições) mas, também, de expressar sua capacidade de recombiná-los e de associá-los aos recursos externos necessários. As ações devem ter como referência balizadora a conservação da biodiversidade, procurando conciliar a intensidade de cada uma das atividades com as restrições ambientais necessárias a neutralizar a erosão dessa diversidade biológica.
A região, como exposto anteriormente, preenche todos os requisitos para responder positivamente a um programa dessa natureza, contribuindo para um melhor ordenamento e maior equilíbrio no processo de integração econômica e social entre as distintas condições agroecológicas lá existentes.
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Clovis Guimarães Filho, consultor e ex-pesquisador da Embrapa Semi-Árido
E-mail: clovisgf@uol.com.br
Espaço do Bode - Publicado em 22/04/11 às 20:10:38
O mercado da carne ovina está crescendo a passos largos, em função da grande aceitação deste produto pela sociedade brasileira, notadamente, o da Região Nordeste. Isto se reflete no surgimento de vários pontos de vendas e restaurantes especializados, principalmente nos grandes centros urbanos. Paralelamente, aparecem as construções e a implantação de abatedouros, frigoríficos e curtumes, específicos para carnes, vísceras e peles de ovinos na Região, caracterizando como uma forte sinalização de estímulo e garantia para o desenvolvimento do respectivo setor produtivo. Assim, há necessidade de práticas alternativas que permitam ao produtor ofertar cordeiros para o abate, capazes de atender às necessidades do mercado de carne, tanto em termos quantitativos quanto qualificativos (EMBRAPA/Caprinos: Circular Técnica Nº 28).
Um sistema de integração sequeiro/irrigação para produção de caprinos e ovinos pode viabilizar o abate dos animais com seis a sete meses de idade e é mais competitivo que o sistema tradicional da caatinga, onde os animais vão para o abate com dois ou mais anos (EMBRAPA/Semi-árido: Instruções Técnicas Nº 70).
Portanto, para atender o exigente mercado consumidor que deseja animais jovens com carcaça padronizada e acabada, regularidade na oferta e qualidade é necessário criar centros de terminação.
No município de Curaçá-BA, onde os criadores estão na área de sequeiro/caatinga e não dispõem de forragens para fornecer aos cabritos e cordeiros no período seco, está sendo montado um centro de terminação de cordeiros e cabritos que atenderá os criadores locais.
O empreendimento é denominado Projeto de Integração Cabrito e Cordeiro Precoce Curaçá que consiste na integração dos criadores da caatinga com pastagens irrigadas para terminar os animais.
O Projeto é uma iniciativa da ACCOSSF (Associação dos Criadores de Caprinos e Ovinos do Sertão do São Francisco) que fará um cadastro dos produtores interessados, ao mesmo tempo em que fornecerá animais de alto padrão genético para melhoria do rebanho, através de seu Núcleo de Genética e apoiará os participantes na busca de financiamento para melhoria da propriedade.
O objetivo é produzir animais precoces para atender o mercado de carnes nobres, inserindo o pequeno produtor rural do município de Curaçá-BA no agronegócio da caprinovinocultura, gerando, assim, emprego e renda para muitas famílias.
Umbuzada.com – Informação em 1º lugar!
Marcos Rogério Cipriano
Vice-Presidente da ACCOSSF
O município de Casa Nova, situado no sertão da Bahia, tem o maior rebanho de caprinos do país (270 mil cabeças), de acordo com levantamento realizado pela Pesquisa Pecuária da Bahia (PPM) 2009, divulgada, dia 24 de novembro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo aponta também que Casa Nova é a terceira cidade do país com maior rebanho de ovinos (225 mil cabeças), perdendo apenas para as cidades gaúchas de Santana do Livramento (401 mil) e Alegrete (239).
O Secretário Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Carlos Castro comemora os números e diz que está desenvolvendo projetos para aperfeiçoar a qualidade genética dos rebanhos de caprinos e ovinos da região. “Pretendemos intensificar os trabalhos de fomento, através da melhoria do padrão reprodutivo desses animais”, explica o secretário, afirmando que para alcançar o objetivo desse segmento realizará capacitação e profissionalização dos técnicos e produtores rurais, através de cursos e outros métodos participativos, direcionados à melhoria genética do rebanho.
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A Bahia tem o maior rebanho de cabras do Brasil e o segundo de ovelhas. Perde só para o rio grande do sul. Apesar disso, a maioria dos animais não tem genética apurada, nem raça definida.
ora, um projeto no norte da Bahia está incentivando pequenos criadores a investir no melhoramento do plantel.
Os repórteres Priscila Brandão e Sandro Queiroz foram conhecer esse trabalho.
Um campeão nacional, reprodutor da raça Dorper que só faz bonito em feiras e exposições. O orgulho dos donos. Desta vez, o Buriá 783 não está a caminho de mais uma monta de sucesso. O reprodutor de quatro anos vai fazer um exame de laboratório porque, nos últimos cruzamentos, o resultado não agradou.
“Esse reprodutor está sendo testado de maneira periódica, a sua qualidade seminal, por conta de ter estado num lote de fêmeas e algumas terem repetido cio. A gente percebe que o sêmen se encontra ralo, com consistência aquosa e a cor está bem clara”, diz a veterinária Jaciara Campos.
A veterinária faz esse trabalho em várias fazendas da região e, no caso do Buriá 783, o motivo da queda de performance ainda é um mistério. “Vários fatores de manejo e também fatores relacionados à maturidade do animal, a idade, mas fatores como o clima, stress no momento, o manejo nutricional”, diz.
Os donos do animal estão ansiosos pelo resultado. Há 10 anos, os irmãos Luiz e Eduardo Teixeira trouxeram embriões da África do Sul e montaram um centro de melhoramento genético da raça Dorper aqui na fazenda Jataí, no município de Senhor do Bonfim, norte baiano.
Os animais pastam num cenário lindo. Eles formam um rebanho bem homogêneo e não deixam dúvida para Luiz que a escolha do Dorper foi acertada. “Uma raça de alta produção de carne, rusticidade, adaptabilidade e precocidade. Tudo o que se quer para um reprodutor pra carne. Essa raça já era sucesso na Austrália e a gente foi procurar na África do Sul, o país de origem, que tinha uma condição climática muito similar a nossa caatinga”, diz Luiz.
Reunimos o campeão, aquele do exame, com alguns de seus filhos. Parecem gêmeos, mas não são. Os machos têm de quatro a cinco meses e são resultado de cruzamentos com matrizes diferentes. A prova de que as características do pai são fortes é inegável.
“O selecionador busca reprodutores que consigam imprimir suas características nos seus filhos, que é o principal de um reprodutor que inicialmente você escolhe pelo fenótipo, ou seja, pela beleza, expressão racial dentro de um padrão racial. E principalmente depois, garantindo que seus filhos vão seguir a mesma linha do pai. É claro que a gente tem que ofertar a chance de um melhor animal com uma melhor fêmea pra conseguir esse resultado, é o esperado”, conta Luiz.
O trabalho de melhoramento animal requer muita observação. Periodicamente, é feita uma pontuação dos lotes. As crias são avaliadas para se descobrir quais foram os melhores acasalamentos e o que é preciso mudar para aperfeiçoar as características da raça nas próximas montas. Na pontuação, os animais recebem notas três, quatro ou cinco, sendo cinco a excelência da raça.
“Pelo visual você já vê uma harmonia, um balanço, quer dizer, você tem um animal completamente harmônico dentro do padrão racial. Essa é uma top. Essa será uma top, espero que ela se desenvolva como top”, conta Luiz.
Além dessa análise dos cruzamentos, o manejo do plantel é rigorosamente controlado. Os filhotes ficam juntos com as mães, as barrigas de aluguel, mas para não ter que competir por comida, eles recebem uma suplementação em cochos separados. A ração que o rebanho come é feita na fazenda.
“Aqui a gente tem várias formulações de ração de acordo com a categoria. Fêmeas têm um tipo, fêmeas paridas têm outro tipo de ração. Os borregos nascidos até os 90 dias têm outra formulação. Os machos também têm outra. Cada categoria tem a sua formulação. Isso é preparado por um veterinário que dá essa dieta balanceada”, diz Eduardo.
“Farelo de milho, farelo de soja, um núcleo de minerais, no caso dos machos que entraria o calcário, o cal cítrico e cloreto de amônia pra evitar o cálculo renal desses animais. A dieta é de feno e a ração, e, nas épocas mais secas, a gente complementa com a palma”, completa.
Um borrego da fazenda Jataí pode custar de R$ 2.000 a R$ 10.000, dependendo da qualificação do animal. Valor que pequenos criadores como o seu João da Silva Neto, por exemplo, dificilmente podem pagar, mas não é que o seu João também está fazendo melhoramento animal na propriedade dele?
Seis anos atrás, o seu João resolveu largar o campo. Decidiu ir pra cidade de Senhor do Bonfim trabalhar como motoboy, mas, passados três anos, percebeu que podia voltar pra cá. Por que, seu João, o senhor resolveu voltar? “Resolvi voltar porque eu vi que aqui no campo era melhor pra mim do que na cidade. Porque na cidade o serviço era muito perigoso, era muito arriscado, aí eu percebi que na roça dava melhor pra mim”, diz o criador.
João conseguiu um trabalho na fazenda Jataí e com o salário comprou dez ovelhas de raça Santa Inês até que o Eduardo sugeriu que ele cruzasse suas ovelhas com um puro sangue da fazenda, de graça. “Aí foi muito melhor, achei que foi melhor, que já nasceu umas coisas melhores, mais apuradas, já de raça, o Dorper, né? Aí consegui o meio sangue e aí já foi melhor um pouco. Eu vendi uns borregos de seis meses, eu vendi a R$ 300, até R$ 500 eu já vendi. E o Santa Inês, provavelmente o Santa Inês, eu vendia um borrego de seis meses eu vendia por R$ 70. Ele, com seis meses, ele ia pesar 10 kg, e um Dorper desse aí, se eu abatesse com seis meses, ele vai me dar 20 kg, vinte e poucos quilos. Então já é uma grande vantagem que eu tenho”, diz João.
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Fonte: Globo Rural