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Ano I

Cotidiano

Cotidiano - Publicado em 05/02/12 às 01:58:36

Perdemos o querido ”Galego”Luiz Cardoso da Silva, Galego, ou mais propriamente conhecido como o “Galego de Olimpio”. São quase 30 anos de conhecimento. Parceiro de todos os momentos, atencioso, solicito, prestativo, sempre disposto a servir. Tenho boas recordações da convivência com o velho Galego, com o qual tinha o prazer de manter uma grande e fraternal amizade.
Servidor Publico da Prefeitura de Uauá por longos anos, tendo passado pelas administrações de Jose Borges (duas vezes) Olimpio Cardoso (duas vezes), Pedro Ribeiro, Pitu, Ítala e Jorge Lobo. Toda uma vida dedicada a Prefeitura, com atuação marcada pela simplicidade e dedicação. Pai e esposo dedicado, sempre presente nas providencias ligadas a resolver algum problema de saúde que envolvesse a família, principalmente a sua esposa, D. Lidia.
Freqüentador habitual da “Pedra do Urubu”, onde às vezes nos encontrávamos para uma breve “saidera”, reclamava sempre quando não comparecia a esse encontro.
Galego, que Deus o tenha sob a sua proteção. Leve a lembrança dos amigos que com você conviveram no universo da sua simplicidade.

Agenor Santos


Cotidiano - Publicado em 30/01/12 às 14:10:16

Governabilidade ou anarquia?Para um governo com pouco mais de um ano da posse, que alcança a extraordinária marca de aceitação popular nacional de 72%, num reflexo patente de confiabilidade da grande maioria dos brasileiros no seu poder de gestão e de fé na sua competência para tomar decisões por mais graves que sejam, não posso entender o grau de tolerância da presidente Dilma Roussef ante as atitudes de partidos mercantilistas que, visivelmente, fazem-na refém de suas vontades. A cada novo escândalo apresentado na mídia – graças a Deus que ainda se conta com a ação independente da imprensa na divulgação dos porões da roubalheira -, até parece existir um rodízio programado para que uma nova sujeira se sobreponha à anterior, quase sempre com a queda do principal mentor, mas cujos milhões surrupiados jamais retornam aos cofres públicos. O pior é que uma pá de terra é jogada sobre o anterior, sepultando-o sob a proteção do esquecimento.
É preciso que surja no cenário nacional alguém com a coragem de dizer ou propor uma legislação determinando que o ministro que cair do governo por fraudes, desvios de verbas públicas ou qualquer atitude que venha denegrir a dignidade do cargo que exercia, o partido que representava também será penalizado com a perda do direito, automaticamente, de indicar qualquer outro substituto, uma vez que também a imagem da agremiação ficará obviamente maculada. O que tem se visto é que sai um corrupto entra outro do mesmo partido, sempre na expectativa de que, como numa roleta russa, algum deles venha salvar a dignidade partidária.
É evidente que a qualquer pessoa sensata cabe o entendimento de que em toda coligação política existe um natural processo de co-participação no governo, resultante do cumprimento de compromissos e alianças firmados em torno do projeto político de gestão administrativa do Município, do Estado ou da Nação. Mas se impõe entender que o cumprimento desse acordo pré-eleitoral não pressupõe a assinatura de uma Escritura Pública de transferência de Secretarias, Ministérios ou departamentos do governo como se fosse uma propriedade privada, para cujo desempenho no cargo está implícito a necessidade de manipulação das verbas públicas em benefício próprio, dos amigos ou destinada à reserva financeira do próprio partido, como se fosse um feudo privativo. A conduta chega a ser tão absurda e irresponsável que um presidente de Partido há poucos dias ameaçou retirar o apoio partidário, abandonando a base parlamentar da Presidente Dilma, se não lhe fosse assegurado “um Ministério com dinheiro” (!), evidenciando uma total tendência subliminar de usar o Ministério no interesse unicamente pessoal, dos seus agentes políticos no seu Estado de origem ou para fins eleitoreiros!
O bom e correto exercício do legítimo regime democrático de governo, além de caracterizado pelo seu principal fundamento ideológico garantidor das liberdades de expressão e movimento individuais, deve ser praticado sob a égide de princípios de moralidade, ética e respeito, não somente na relação entre os poderes constituídos, mas na atitude de dignidade que deve marcar a atuação daqueles investidos de poder. Urge uma transformação nacional do caráter dos governantes ou num futuro bem próximo não teremos nomes habilitados à ocupação das funções de natureza pública. Já há 2064 anos, o filósofo, orador, escritor, advogado e político romano (Marcus Tullius – Roma, 55 a. C), dizia: “O Orçamento Nacional deve ser equilibrado. As dívidas públicas devem ser reduzidas, a arrogância das autoridades deve ser moderada e controlada. Os pagamentos a governos estrangeiros devem ser reduzidos, se a Nação não quiser ir à falência. As pessoas devem novamente aprender a trabalhar, em vez de viver por conta pública”. Desde então o problema já existia!
A garantia de governabilidade deve ser assegurada à Presidente da República dentro de condizentes princípios de respeito e moralidade, ou a nação verá implantada a anarquia que desestabiliza o próprio sistema político-institucional.

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Adm. Agenor Santos agenor_santos@ig.com.br


Cotidiano - Publicado em 09/01/12 às 23:27:04

Convivendo com as diferençasHá duas coisas que da minha mente não sai: a gente mata vai preso e a morte mata e não vai. Autor desconhecido. Adágio citado por: Edmundo “Cupiera” Dias Santana, de Uauá.
O adágio popular, que me foi narrado pelo velho amigo Edmundo “Cupiera”, e lembrado pelo Coronel Jerônimo Ribeiro (95 anos), conduziu-me a fazer uma analogia com fatos correntes de injustiças que ocorrem no dia a dia, principalmente nos episódios que retratam o preconceito social, lamentável privilégio espúrio não apenas das pessoas físicas, mas que atinge, também, as instituições.
Inexistindo nas cidades uma estrutura de atividade econômica que possa usar plenamente toda a capacidade laborativa dos jovens e dos cidadãos pais de família, os quais às vezes são levados à informalidade nas atividades de comércio (mais conhecidos como camelôs), quando apanhados pela ação fiscalizadora dos agentes municipais das grandes cidades são violentamente punidos e espancados, e tem as suas mercadorias recolhidas para destinos quase nunca informados, e sem volta. Do outro lado, determinados empresários que enriquecem por se utilizarem de manobras fiscais para fugirem à tributação, e os golpistas do sistema financeiro nacional, são inversamente tratados com benevolência pelos que deveriam exercer a ação fiscalizadora e policial dentro da legalidade.
Em outro patamar, sem a pretensão de defender infratores, pequenos crimes urbanos, como o tradicional ladrão de galinha que às vezes é levado à prática pela fome, mofa nas cadeias por longos períodos, enquanto o ladrão de gravata é beneficiado pelas liminares assinadas nas caladas da noite, quando não em feriados e finais de semana, determinando que o ladrão de elite responda o crime em liberdade!
Um fato noticiado nos últimos dias é bem emblemático quanto às chocantes diferenças de tratamento vigentes:
“Paulo, 28 anos, casado com Sônia, grávida de quatro meses, desempregado há dois meses, sem ter o que comer em casa foi ao rio Piratuaba-SP a 5 km de sua casa pescar para ter uma 'misturinha' com o arroz e feijão; pegou 900gr de lambari, e sem saber que era proibida a pesca, foi detido por dois dias, e levou umas porradas. Um amigo pagou a fiança de R$ 280,00 para liberá-lo e terá que pagar ainda uma multa ao IBAMA de R$ 724,00 (!). A sua mulher Sônia grávida de 04 meses, sem saber o que aconteceu com o marido que supostamente sumiu, ficou nervosa e passou mal, foi para o hospital e teve aborto espontâneo. Ao sair da detenção, Ailton recebe a noticia de que sua esposa estava no hospital e perdeu seu filho, pelos míseros peixes que ficaram apodrecendo no lixo da delegacia. Quem poderá devolver o filho de Sônia e Paulo?”
Enquanto isso, Henri Philippe Reichstul, francês de origem, quando Presidente da PETROBRÁS entre 1999 e 2001...
“Responsável pelo derramamento de 1 milhão e 300 mil litros de óleo na Baía da Guanabara, matando milhares de peixes e pássaros marinhos. Responsável, também, pelo derramamento de cerca de 4 milhões de litros de óleo no Rio Iguaçu, destruindo a flora e fauna e comprometendo o abastecimento de água em várias cidades da região. Crime contra a natureza, inafiançável. Encontra-se em liberdade. Pode ainda ser visto jantando nos melhores restaurantes do Rio e de Brasília!”. Nada lhe aconteceu!
Certamente o leitor deve estar lembrando agora de muitos outros péssimos exemplos de tratamento desumano e indigno com as pessoas, que revoltam e envergonham uma sociedade com um mínimo de respeito. O espaço deste Blog seria insuficiente para registrá-los. Uso as palavras da filósofa russo-americana-judia Ayn Rand que trazem uma profunda definição para a convivência com as diferenças: “... Quando você perceber que, para produzir precisa obter a autorização de quem não produz nada; [...] que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho; que as leis não nos protegem deles mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada e a honestidade se converte em auto-sacrifício, então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada”.

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Adm. Agenor Santos agenor_santos@ig.com.br


Cotidiano - Publicado em 25/12/11 às 23:33:34

Quando o perdão tem limitesPor mais que o espírito natalino nos remeta aos mais elevados sentimentos de amor, fraternidade e perdão, criando instantes de alegria e afeto tão envolventes quanto universalizados pelas sociedades e culturas as mais diversas pelo mundo a fora, existem situações e acontecimentos que não conseguem conquistar de forma linear o perdão das pessoas, induzindo-as a exigir a condenação irreversível de certos comportamentos e desvios.
Diariamente, como se não bastassem as tragédias provocadas pela natureza, em grande parte estimuladas pelo próprio homem, outros fatos perturbam a paz e a tranqüilidade das pessoas, tais como os crimes em série, filhos que matam pais e vice-versa, as loucuras de acidentes que ceifam vidas provocados pela direção imprudente e irresponsável, os repugnantes crimes da pedofilia, e outras degradações mais.
Mas, esse é um momento em que as alegrias do Natal aliadas à proximidade do final do ano se confundem com o impulso das reflexões quanto a todos os fatos que, de alguma maneira afetaram as vidas humanas, direta ou indiretamente. A revisão desses acontecimentos conduz a uma versatilidade de conclusões, tanto identificadoras das causas provocadas por agentes externos como aquelas determinadas por atitudes pessoais, as quais dependem apenas de algumas decisões corretivas para a mudança de rumos.
No contexto das injunções provocadas pelos agentes externos, que vem afetando de forma rigorosa e intensa a vida do cidadão, e que está dominando todos os espaços da mídia, nada provocou impacto tão profundo quanto a história que vem sendo escrita pelos Ministros da Republica deste nosso Brasil. Se para assumirem os cargos fossem submetidos ao antigo Exame de Admissão (rigoroso exame existente no passado para acesso ao ginásio), às provas do Enem ou do Enade dos dias de hoje, se no currículo desses exames fossem exigidos: Decência, Honestidade, Dignidade, Honradez, Caráter ou, fechando o conjunto do perfil... Integridade, jamais seriam aprovados! Não é possível que a sensibilidade do cidadão seja atingida no mais profundo dos princípios morais que regem a cidadania e nada acontece com essa corja que atormenta o sono da própria Presidente da Republica e usurpa da sociedade recursos públicos que seriam para a Saúde, a Educação, a Segurança e um universo de Programas Sociais! Até quando a pretexto de garantir a governabilidade a Presidente ficará submissa e refém da ganância dos Partidos políticos, que retornaram ao passado da história na prática do escambo, ou seja: “troco o voto do partido pelos milhões do caixa do Ministério”. Tanto isso é verdade que quando o Partido tem peso de votos de deputados ou senadores somente aceita Ministério que movimenta muito dinheiro!
Assim, é de concluir-se que nos crimes premeditados, nas ações imorais e escusas que ferem o interesse coletivo, tais agentes não são dignos do perdão, mesmo que o sentimento natalino queira interferir nesse tipo de julgamento. Nesses casos, o “Perdão tem limites”.

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Adm. Agenor Santos agenor_santos@ig.com.br


Cotidiano - Publicado em 23/11/11 às 11:40:09

O apagão moralAinda que não se pretenda revigorar o noticiário diário da mídia televisiva, infestado de registros tão sujos quanto recalcitrantes, onde os atores se destacam não pela competência da gestão ministerial, mas pelo desempenho melodramático de tentar ludibriar as consciências dos ouvintes, deprime ao cronista ter de fazer o leitor sofrer novamente. De semana a semana (quase não completa o mês!) espera-se em cada jornal televisivo ou na edição semanal de uma revista, qual será o ministro “bola da vez”.
No momento nacional em que o país desfruta de uma extraordinária e soberba condição de estabilidade econômica, em que o brasileiro se orgulha da privilegiada solidez ante as diversas crises que estão assolando as economias de países historicamente fortes, não é possível que a nação tenha de assistir a explicações medíocres e insanas de ministros que, com mentiras e ar sorridente, tentam justificar e legitimar o engodo.
Como se não bastasse tentar explicar o inexplicável, no episódio em andamento envolvendo o ministro Carlos Lupi, além da prepotência irresponsável e arrogante, ele introduziu expressões inéditas no vocabulário político, evidenciando ser o todo-poderoso do cargo e que “somente à bala deixaria o posto”. Só faltou cantar a marchinha carnavalesca: “daqui não saio, daqui ninguém me tira, onde é que vou morar?!”. Foi a mais gritante estupidez que a nação presenciou nos últimos anos.
Atingida no cerne inviolável do seu poder de nomear e demitir, a Presidente Dilma Russef, talvez preocupada com a estabilidade da sua base partidária, passou apenas um “pito” no intrigante ministro, quando seria mais prudente ter logo usado da sua prerrogativa para expurgar o mal pela raiz.
Talvez surpreso com o parcimonioso “pito” passado pela Presidente, quando esperava o pior, o Ministro Carlos Lupi cometeu, ainda, uma irreverência pública inconcebível no trato do diálogo com a Presidente, quando lhe mandou um recado: “Presidente Dilma, desculpa se eu fui agressivo. EU TE AMO” (destaque nosso). A formação mais elementar que se tem conhecimento ensina que o cargo de Presidente da República tem uma liturgia própria e inconfundível, cercado de cerimonial, pompa e circunstância, não se admitindo expressões públicas dessa ordem: “Presidente Dilma [...] eu te amo!”. Antes de soar como demonstração de carinho, a frase tem um vergonhoso e indiscutível sentido bajulativo.
Mas, tão envolvido estava no imbróglio criado no seu Ministério, que o ministro foi acometido de um lapso de memória e esqueceu o nome do seu companheiro de viagem, integrante de uma comitiva de apenas cinco pessoas, presidente de três ONGs que abocanharam a bagatela de 10,4 milhões de reais dos recursos públicos! Por nervoso ou exibindo qualidades melodramáticas, o ministro, em depoimento no Congresso procurou um papel que contivesse o nome do privilegiado parceiro... Sr. Adair Meira! Eureca! Mais que um tremendo ridículo, um legítimo apagão... moral!

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Adm. Agenor Santos
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Cotidiano - Publicado em 31/10/11 às 11:00:15

Nasce o “tataraneto” da ARENA Nos regimes políticos totalitários o unipartidarismo é a primeira regra básica da cartilha. Em algumas ditaduras com um pouco mais de tolerância, ocorre uma permissibilidade para que os eventuais contrários se componham em uma agremiação que, talvez casualmente, se denomina também como Partido. Pela etimologia da palavra, desde a infância, nas brincadeiras de escola, nas discussões por mais simples que sejam, aprende-se que quando se assume uma posição ao lado de alguém, por um grupo, por uma ideia em debate, diz-se que assumiu “partido” por algo, não importa o tipo de convicção, se está certa ou errada a posição assumida. Isso significa ter um pensamento definido.
Nos países comunistas, historicamente, e nas ditaduras espalhadas pelo mundo, somente o Partido do governo dá a conotação de democracia à moda deles, único com legitimação para falar. Assim como em outras ditaduras, também aconteceu no período militar no Brasil de 1964 a 1985, quando o próprio governo, numa atitude sutil para engabelar o resto do mundo, estimulou a criação de duas agremiações – ARENA e MDB, através do Ato Institucional n° 2, de 10/1965 – que nem nome de Partido tinham, as quais acomodaram os adesistas do poder (arenistas) e os dissidentes (oposionistas), cuja liberdade para falar e pensar era apenas relativa ou mesmo inexistente. Aqueles que se atreviam a discordar ou, eventualmente, votar contra determinado projeto do presidente-ditador, logo eram cassados porque a verdade estava sempre com os que mandavam. Com o advento da Lei 6.767, de 20/12/1979, quando foi restabelecido o pluripartidarismo, as agremiações então existentes foram extintas e transformadas em Partidos Políticos: de ARENA passou a PDS (1979), que virou PFL (1985), que virou DEM (2007), que virou PSD..., em 2011 (ou não?); e o PMDB, que não se multiplicou, mas gerou um poderoso filho, o PSDB (1988), e ajudou a engrossar as fileiras de outros partidos como PT, PT do B, PDT, PSB e outros pequenos “Pês” por aí a fora!
Mas essa abordagem não pretende traçar a trajetória histórica dos partidos políticos, embora tenha a ver um pouco com a vida e sobrevida de alguns deles. Assim como era inaceitável o Partido único, também o bipartidarismo disfarçado não tem qualquer aceitação para o exercício do direito democrático de divergir. E o que dizer do pluripartidarismo exacerbado (hoje temos 28!), com partidos criados sem limites e sem qualquer embasamento ideológico ou de princípios, sem bandeiras que justifiquem um mínimo de análise do cidadão, mas que representam apenas a proteção de interesses pessoais dos seus fundadores! Partidos que não vendem ideias, mas negociam votos no Congresso, que encurralam e fazem de refém o Presidente da Repúblicana votação de projetos que deveriam representar apenas o interesse do cidadão.
Essa reflexão, que naturalmente deve representar o pensamento indignado de muitos cidadãos de bem desse nosso Brasil, foi provocada pelo recente nascimento do tataraneto da ARENA, o PSD-Partido Social Democrático, que inicialmente era PDB-Partido da Democracia Brasileira - ou seria o PK-Partido do Kassab? Quais são as bandeiras do novo Partido? O seu proprietário (sim, o dono!), o Prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, ao fundá-lo teve a visão de constituir um patrimônio que vai lhe render muitos dividendos políticos ou outros inimagináveis. Segundo o deputado Ônix Lorenzoni (DEM-RS), o PDB seria o “Partido da Boquinha” (!), o que provoca questionamentos quanto aos motivos que levaram tantos deputados, senadores e governadores em migrarem com incrível velocidade para o novo Partido. Seria em busca de alimento?!
A falta de inspiração para a fundação do novel Partido foi tão grande que o Prefeito Kassab afirmou à Revista Veja de que “o Partido não é de centro, nem de direita, nem de esquerda”, o que se conclui que a melhor definição para a sigla do partido seria: PSD-Partido Sem Direção! Se assim o seu fundador o define, entende-se que sempre estará em cima do muro das conveniências e interesses, e não defendendo ideias e princípios. O sistema partidário brasileiro saúda o ,tataraneto da ARENA, desejando que seja bem-vindo... até a chegada do tetraneto!

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Cotidiano - Publicado em 12/10/11 às 15:03:54

Luar do SertãoEmbora cearense no sobrenome, foi um maranhense de São Luis que exaltou com singela e rara exuberância as inolvidáveis belezas do Luar do Sertão. Quem, em algum momento da vida, já não cantou com enlevo e romantismo os versos de Catulo da Paixão Cearense, verdadeiro hino de louvação ao sertão? “Não há, ó gente não há, luar como este do sertão” traz o estigma da paixão profunda pelos encantos das terras semi-áridas do sertão, que não têm as águas verdes do mar a banhá-las, mas tem a noite iluminada pela celestialidade dos astros.

A noite, quando escura é o apanágio dos fracos e dos possuídos por inconfessáveis propósitos; quando sob o brilho suave do luar se torna o aconchego dos boêmios e românticos, envolvidos pelas doçuras do amor.

A divindade sábia e incomensurável do Criador estabeleceu regras básicas de justiça e convivência com a grandiosidade da criação. Tudo foi dividido com equidade; se de um lado as agruras da seca trazem ao sertão a fome, o sofrimento e a morte, ao litoral a chuva traz a tragédia das águas, inundando de dor o desprotegido homem urbano. Se o mar banha as praias e traz um refrigério de paz e prazer aos seus veranistas, o sertão tem o privilégio do luar inusitado e encantador, sem qualquer similaridade com as noites metropolitanas, cujas montanhas de cimento ofuscam e impedem o deleite do luar.

A caatinga, baixa ou rasteira, no crepitar dos seus galhos secos e sol implacável, parece esperar os estertores finais de uma vida de seca, como se hibernasse à espera de uma gota da chuva salvadora. Durante o dia os buracos no solo ou as lapas de pedras se tornam no esconderijo protetor dos répteis e lagartos, que fogem do calor abrasador do sertão; à noite, por entre os gravetos e cipós retorcidos eles saem à caça ou simplesmente buscam a contemplação do luar, favorecidos na sua pequenez pela natureza que desfolhou as árvores, como se lhes abrissem as cortinas da beleza e do encantamento.

Tenho o privilégio de ser sertanejo por adoção espontânea. A experiência com o solo e a gente sertaneja trouxe-me lições de sensibilidade de como é viver e sentir o sertão, com as suas carências e grandiosidades. Em Uauá, prazerosamente, tive a honra de conhecer uma figura da maior magnitude moral, autodidata das letras e das palavras, cujo nome identifica com galhardia a sua terra e enriquece uma convivência cultural: Coronel Jerônimo Rodrigues Ribeiro.

Voltei novamente para o sertão de Uauá sem jamais ter saído dele, espiritualmente. Voltei para a contemplação de sua beleza maior e de incomensurável magnitude: o Luar do Sertão. Como disse Catulo da Paixão Cearense:

“Esse luar cá da cidade, tão escuro
Não tem aquela saudade
Do luar do sertão “



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Agenor Santos
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