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Ano I

Cotidiano

Cotidiano - Publicado em 21/04/13 às 17:59:44

Artigo:  Princípios elementares de cidadaniaO site Ig desenvolve variados tipos de pesquisa, semanalmente e em tempo real, em que eles sugerem o tema e as pessoas votam. Por exemplo, há consultas para indicação do melhor ator ou atriz das novelas, se aceitam o Deputado Marcos Feliciano e suas atitudes como presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, quem seria o melhor nome para a presidencia da CBF, em que escolheram o Zico em 1º., o Romário em 2º. e o Raí em 3º. lugar, e aí por diante. Mas um tema chamou a minha atenção, principalmente porque já escrevi aqui uma crônica no mesmo sentido, sob o título “Reciclando os nossos (maus) costumes”. “ A consulta popular virtual teve o título: “ “Que mau hábito do brasileiro mais incomoda? “ Eis o resultado para conhecimento dos leitores:
1º. – Jogar lixo em ruas e calçadas. . . . . . . . . .14.005 votos;
2º. – Ignorar as leis do trânsito. . . . . . . . . . . . . 5.900 votos;
3º. – Desperdiçar água . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.286 votos;
4º. – Não respeitar as filas. . . . . . . . . . . . . . . . 1.363 votos;
5º. – Não respeitar horários. . . . . . . . . . . . . . . 1.161 votos;

Certamente que as pessoas que primam por cumprir os deveres e respeitar os direitos, desejariam acumular todos os itens acima em “1º. lugar”, porque nada as deixam mais indignadas do que serem atingidas por cada mau hábito desses, isoladamente ou em conjunto, e isso é o que mais acontece cotidianamente. Fazendo um leve exercício de memória, qual o cidadão que saiu de casa para qualquer atividade e não testemunhou durante a sua jornada, desde a hora em que colocou os pés na rua, repetidas atitudes que ferem a dignidade das pessoas?

Ao caminhar pela via pública quase sempre tem de contornar pilhas de lixo nas calçadas ou espalhados pela rua; carros estacionados sobre a calçada ou motoristas que teimam em não respeitar as faixas de pedestres; desperdício de água por toda parte; filas longas e tempo de atendimento superior aos 15 minutos fixados pela lei (no caso dos Bancos); descumprimento de horário de abertura do atendimento em repartições, porque o funcionário encarregado ainda não chegou ou está tomando antes o seu cafezinho e batendo aquele papo matinal sobre o futebol do dia anterior. Talvez os cinco itens pudessem ser ampliados!

Tratando-se do lixo, resultante do repulsivo comportamento das pessoas de tudo jogar nas vias públicas, não importa o nível social e econômico dos que assim praticam, é a prova mais que contundente de que a nossa educação precisa melhorar muito. Certamente que a escola atual tem um compromisso muito grande na formação dos jovens e cidadãos do futuro, mas a mídia, principalmente a televisiva, tem a obrigação, mais que urgente, de desencadear campanhas educativas para mudar o adulto de hoje.

Todos os anos assistimos à repetição das tragédias das chuvas nas áreas urbanas, que trazem destruição e morte. Mas será que, irresponsavelmente, vamos jogar a culpa na natureza? Quantos canais e bueiros estão bloqueados pelo lixo jogado nas ruas, até mesmo por figuras de relativo poder econômico e social que circulam nos seus carros importados e arremessam copos, latas de cerveja, jornais e tudo que não pode sujar o interior do seu veículo, mas pode enfeiar a cidade e causar o mau a tantas outras pessoas!

Certa ocasião ouvi uma frase de uma mãe, que ao se dirigir às filhas que degustavam sorvetes e picolés, orientou-as: “Não joguem os palitos e os copinhos na rua, que seu tio não gosta!”. Que bela oportunidade perdeu de educá-las num item fundamental da formação daquelas crianças! Não basta a educação escolar. A escola ensina e a família educa. É preciso que a educação doméstica dê a sua forte contribuição na valorização de principios básicos e elementares de cidadania, participando na construção de um Brasil do futuro de mais civilidade e cultura, ações que o Estado e as Prefeituras não conseguirão realizar sozinhos.


Umbuzada.com – Informação em 1º Lugar!
“Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público - Salvador-BA agenor_santos@ig.com.br


Cotidiano - Publicado em 08/04/13 às 12:05:42

As obras Inacabadas Cada cidadão brasileiro que decida dar um giro em sua cidade, obviamente se reside na capital ou grandes cidades a incidência será maior, terá a sua visão direcionada para alguns monumentos de grande expressão, não erguidos à sublimação de fatos históricos do seu país, à elevação cultural ou à homenagem a grandes vultos e personalidades responsáveis por memoráveis realizações pelo povo e pela pátria. Contrariamente ao que deveria acontecer, os seus olhos irão vislumbrar estúpidos monumentos ao absurdo, à vergonha de projetos mal elaborados e inconsequentes, verdadeiros marcos do desperdício do dinheiro público. Aqui em Salvador, em algumas avenidas encontram-se estruturas de concreto de colunas que deveriam ter recebido uma passarela ou mesmo algum provável viaduto, e que foram simplesmente abandonadas e estão apontando para o nada. Próximo ao Posto da Polícia Rodoviária Federal, acesso a Simões Filho, foi construído um viaduto sobre a BR-324, sem qualquer pista de um lado ou de outro que justificasse a pressa na edificação do mesmo. Erro de planejamento, ninguém sabe ou explica. E o que dizer do nosso Metrô? Orçado em 307 milhões para 13 Km de extensão, já consumiu 720 milhões em 6,5 Km, em 13 anos de gastança! A obra não acabou, mas o Trem já enferruja à espera dos trilhos há algum tempo, confirmando o adágio popular do “carro adiante dos bois”! Ao final, certamente que um monumento será inaugurado para mostrar à posteridade como se desviava verba pública no passado. Quem é o culpado, ninguém sabe, porque “filho feio não tem pai”!

Os espaços disponibilizados pelos Blogs e Sites seriam insuficientes para relacionar, detalhadamente, todas as obras espalhadas por esse Brasil à fora sob a responsabilidade de Municípios, Estados e mesmo Ministérios ligados ao Governo Federal, cujos projetos, bem formatados e maquiados nos bastidores dos escritórios de lobistas em Brasília, convencem muito mais pela beleza da encadernação e apresentação gráfica do que pela consistência de adequados planejamentos. Parece hilário citar que a pequena cidade de Goianá, em Minas Gerais, com 4.000 habitantes, teve liberado recursos estaduais e federais da ordem de R$ 88,0 milhões para construir pista para aviões de grande porte, mas se quer perceberam que havia um morro na cabeceira que impedia a obra!

Mas, além dos problemas supostamente técnicos que impedem o início ou a conclusão de determinadas obras conveniadas, ainda são inúmeros os casos de reajustes e suplementações injustificadas, os quais elevam os custos, oneram os orçamentos e fazem descer pelo ralo milhões e milhões de reais do dinheiro público. Essa abertura para a correção de valor tira qualquer eficácia do princípio das Licitações e Pregões Eletrônicos. E como consequência ainda mais grave, muitos dos projetos aprovados e liberados, exibem aos nossos olhos “elevantes brancos” que não resultam em qualquer utilidade social ao beneficiário final, justamente de quem as dificuldades e carências são invocadas com veemência na justificativa dos pleitos apresentados. Todo esse arcabouço de irregularidades é montado para atender a conveniência insana de alguns em detrimento do conjunto da sociedade.

Para quem viu o Jornal Nacional do dia 31/3, assistiu à reportagem que deixou a todos com muita vergonha. Em Imperatriz-MA, 400 casas populares foram construídas com recursos federais, desde 2010, ao custo de: R$7,2 mi; uma escola: R$1,0 mi; um Posto de Saúde: R$ 0,4 mi; um Poço Artesiano: R$ 0,2 mi; um Centro Comunitário: R$ 1,5 mi. Uma estrutura completa para uma comunidade e simplesmente tudo isso abandonado, literalmente já dominados pelo mato que impede o próprio acesso! Foram investidos cerca de 10 milhões de reais e mais parece uma cidade fantasma!

Até quando iremos conviver com tamanha irresponsabilidade no trato da coisa pública, sem a devida penalização?


Umbuzada.com – Informação em 1º Lugar!
Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público - Salvador-BA


Cotidiano - Publicado em 25/03/13 às 15:36:39

Entre a manga e a jacaAs dificuldades e problemas de diversas dimensões que povoam o universo da vida das pessoas são mensurados e avaliados de formas diferentes, conforme o emocional de cada um ou mesmo a visão crítica que se deseja atribuir a cada episódio. Essa tendência de avaliar tudo tanto vale para pequenos como grandes fatos do cotidiano, diferenciando-se entre si, apenas, conforme a intensidade envolvida no processo e as reações resultantes. Para bem caracterizar essa prática corrente, é oportuno lembrar o ditado popular usado sempre que se deseja ressaltar um fato extremo: “engole um elefante e se engasga com um mosquito”. Mesmo nos casos mais delicados, como comentar notícias da enfermidade de alguém ou o registro de tragédias, a tônica é exagerar na gravidade, provocando lamentações e dor. Por exemplo, quantas vezes se dramatiza excessivamente uma pequena enfermidade curável, enquanto tantos outros lutam de forma heróica e resignada para vencer um câncer incurável! Também o exame das prioridades são estabelecidas conforme o peso que se atribui a cada caso, em particular, dentro de um conjunto.

Mas, em meio a todas essas aparentes divagações filosóficas, a curiosidade do leitor fica mais aguçada e logo o questionamento se torna natural: “o que tem a ver a manga e a jaca em tudo isso?”. Pode até parecer hilário, mas é significativo que se abstraia lições educativas sempre que as oportunidades se apresentem. Nos grandes centros, a vida das pessoas atualmente está vinculada à convivência em comunidades ou condomínios, de onde emanam as divergências, incompreensões e conflitos de toda ordem, geralmente sobrando para o síndico dessa sociedade. Assim, ouví recentemente um desabafo mordaz e inteligente de um síndico de condomínio de luxo da capital, narrando diálogo produzido entre ele e uma condômina:

- Então, caiu uma manga sobre o meu carro, amassando-o um pouco e quero saber o que o Condomínio vai fazer para cobrir o prejuízo?

Com muito equilíbrio e sapiência ante a insignificância do problema que lhe era apresentado, se comparado com a magnitude de tantos outros que surgem no dia a dia do condomínio e que, obviamente, exigem maior capacidade de gestão para resolvê-los, saiu-se ele com essa pérola:

- Minha senhora, meus parabéns, ainda bem que só isto aconteceu... mas, imagine se fosse uma jaca, como não teria ficado!

Feita uma rápida reflexão comparativa, resignada ante o fato real e o imaginário citado pelo síndico, a condômina logo se convenceu de que estava realmente se engasgando com um mosquito! O episódio pode servir de exemplo em nossas vidas, recomendando-nos tolerância, moderação, equilíbrio e prudência na correta interpretação da gravidade atribuída aos acontecimentos à nossa volta.

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Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público - Salvador-BA agenor_santos@ig.com.br


Cotidiano - Publicado em 17/03/13 às 18:26:26

Corrupção: Uma triste escaladaAdm. Agenor Santos

Todos os fatos e acontecimentos de grande impacto e repercussão, não importa de que natureza, têm o poder de remeter ao esquecimento os problemas ou escândalos que, em algum momento, abalaram o emocional da sociedade brasileira, ferindo-lhe no âmago a credibilidade ou mesmo destruindo os últimos resquícios de esperança. Por algum tempo, novos episódios conseguem fazer com que, até a própria mídia, rediricione o foco das suas preocupações e o cidadão passe a conviver com novas emoções.

Tentei, através de um exercício de memória, relembrar para os leitores alguns dos escândalos registrados no cenário político nacional nos últimos anos, mas, subitamente, foi como se tivesse ouvido um apelo dramático do cérebro: “recorra ao Google, porque são registros negativos que excedem a minha capacidade de armazenar!”. Atendendo a esse dramático apelo fui à pesquisa e eis que me deparo com o simplório número de 202 casos de escândalos de toda ordem, somente em nível nacional, entre 2009 e 2011! Acrescente-se mais 26 casos de 2011 e 94 de 2012, temos um total de 322 escândalos! Os de menor grau de gravidade alimentam a imprensa somente por algum tempo, mas logo são esquecidos e pisoteados impiedosamente por outros maiores. Assim é que os escândalos de maior expressão são titulados como: “Anões do Orçamento”, com desvio de 800,0 milhões, entre 1989/1992; do “Banestado” ou Banco do Estado de São Paulo, com desvio de apenas 42,0 bilhões, entre 1996/2000; do TRT de São Paulo, com desvio de 923,0 milhões, entre 1992/1999; e o famoso “Mensalão”, com desvio de 55,0 milhões, ocorrido em 2005 e embalsamado até hoje!... Somados, os escândalos da corrupção atingem a bagatela de 69,0 bilhões! No ranking da ONG Transparência Internacional, na faixa de zero (muito corrupto) a dez (nada corrupto), o Brasil tem a nota 3,8, ocupando o 69º. lugar entre 176 nações avaliadas. Já houve leve melhora nesse índice, mas estamos bem próximos do grupo dos muito corruptos!

Como o crescente aumento de casos decorre da impunidade reinante, quando surge um juiz como o Ministro Joaquim Barbosa, do STF, determinado em dar um basta nessa vergonha nacional, logo é atacado de todas as formas visando apagar uma das poucas chamas acesas e que pretende iluminar novos caminhos para a moralidade, o caráter, o respeito e a dignidade.

Embora com esses valores surrupiados, descaradamente, o Estado pudesse realizar grandes projetos em favor da educação, da saúde e da transformação da estrutura social vigente, não é exatamente o valor monetário que mais choca, mas o despudor com que a prática se repete e se aperfeiçoa ao longo dos anos, às vezes sucedendo de pais para filhos, talvez confiantes de que há uma cumplicidade tolerante que funciona como apanágio protetor de tais ações.

O que mais deprime é ver que enquanto os pais se esmeram para passar educação doméstica aos seus filhos, com noções básicas de moral, caráter e respeito, e os professores nas escolas se dedicam não somente à tarefa de alfabetizar crianças e jovens mas, também, de acrescentar-lhes um perfil de conduta e comportamento ético e de integridade, da outra parte cidadãos investidos de autoridade se esquecem de que o desempenho de suas funções com honradez pode contribuir fortemente através do exemplo nesse processo educativo. Assim, restam a esperança e a fé de que um dia a honradez será restabelecida neste nosso país!

Umbuzada.com – Informação em 1º lugar!

Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público - Salvador-BA agenor_santos@ig.com.br


Cotidiano - Publicado em 06/03/13 às 13:43:26

Crônica:  Aos seus encantos, Mulher!Mulher, esposa, amante, dama ou mulher-dama, mãe, guerreira, lutadora, vencedora, valente, incansável, paciente ou impaciente, brava ou mansa, gari, doméstica, educadora, operária, executiva, empresária, militar, servidora pública, professora, atriz, apresentadora, juíza, promotora, médica, parlamentar, Prefeita, Governadora, Presidente!

Você, mulher, que já acumula históricas conquistas sociais não sabe o poder que tem nas mãos, capaz de vencer grandes desafios com a chama do seu olhar, com a graça do seu sorriso, com o seu ar dengoso e às vezes altivo!

O leitor de boa memória vai logo dizer: mas o texto inicial integrou a crônica do ano passado!...(Você, Mulher, 08/03/2012). E é a pura verdade, leitor. Estou convencido que o grande erro do homem é não repetir declarações, optando por procurar novas formas de expressão, novas frases para conquistar a mulher, mas não tem a coragem de vestir o manto da humildade e usar a coroa da grandeza para reiterar as palavras que um dia marcaram um momento de amor, para reverenciar a rainha que povoa os seus sonhos ou mesmo para enaltecer o grande ser que é a mulher. Basta um olhar em volta para identificar tantas guerreiras que dormem tarde e acordam cedo; coordenam a vida escolar dos filhos e administram a casa em todos os seus mínimos detalhes; administram os suprimentos para o alimento doméstico e cuidam de vencer na vida profissional; e para completar a jornada, ainda reservam sorriso e amor para os seus maridos! No dia seguinte, começa tudo de novo! Ufa... Que batalha!

Assim, temos de fazer reverência a essa extraordinária figura que Deus colocou-nos ao lado, que sabe como ninguém preencher com amor e dengo o nosso ser vazio. Que sabe projetar, como nenhum arquiteto é capaz de fazê-lo, o edifício da família; que gera filhos e os amamenta; que cria gerações e mais gerações! Você, mulher, é a poesia de nossas vidas!

Neste Dia Internacional da Mulher, glorificar o seu valor ainda é pouco. Que os homens reconheçam “que ao lado de um grande homem, tem sempre uma grande mulher”, as verdadeiras heroínas do cotidiano! Minha homenagem AOS SEUS ENCANTOS, MULHER!

Umbuzada.com – Informação em 1º lugar!
Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público - (de Vitória-ES) agenor_santos@ig.com.br


Cotidiano - Publicado em 02/03/13 às 09:32:38

Em Tempos de RenúnciasA população mundial viveu uma inusitada experiência nos últimos dias, revestida de elevada carga de emoções e questionamentos de toda natureza, ocasião em que cada cidadão se colocou como analista e buscou responder a perguntas que não têm resposta: a renúncia do Papa Bento XVI! Também aqui tivemos a renúncia do ex-presidente Lula à sua candidatura para um terceiro mandato, em favor do nome da Presidente Dilma à reeleição, notícia que teve repercussão positiva face à possibilidade do risco de contágio com o vírus do Chavismo venezuelano! Esperou-se que a epidemia da renúncia fizesse chegar o vírus até o ficha-suja Renan Calheiros, Presidente do Senado, o que, infelizmente, ainda não aconteceu.

Já na crônica anterior registrei que somente após a morte do papa renunciante é que a verdade dos fatos será conhecida, uma vez que a ética, o respeito e a dignidade do cargo naturalmente impedirão que o ex-Papa faça comentários que possam interferir na gestão do novo Pontífice ou mesmo criar situações desconfortantes para a milenar estrutura da Igreja Católica. Mas só de pensar que um episódio semelhante da renúncia de um Papa aconteceu há 598 anos, por volta do ano de 1415, com Gregório XII, nada mais natural que a decisão cause enorme perplexidade entre fiéis e não fiéis, principalmente pela aura de santidade que envolve o chefe supremo da Igreja.

Enquanto tudo isso acontece no Vaticano, à sua volta o Estado Italiano passa também por uma convulsão política e econômica, cujas consequências podem atingir a própria estrutura e unidade da União Europeia, bloco formado por 27 Estados-membros europeus.

Já aqui no Brasil vivemos num relativo mar de rosas, uma vez que os políticos brasileiros parecem ser mais sábios do que as grandes lideranças políticas do mundo! A nossa habilidade em fazer negócios ou negociatas ultrapassa todos os limites e parâmetros de referência, exibindo competência sem precedentes. Se uma crise se apresenta no cenário político municipal, estadual ou federal, logo os articuladores entram em campo e apresentam as soluções que não respeitam limites, visto que o importante é preservar a estabilidade e a sustentabilidade a qualquer preço. Daí o que se vê são barganhas de toda ordem em troca do apoio, não importa se para tanto tenham que leiloar Secretarias e Vice-Presidências do Banco do Brasil, Banco do Nordeste e Caixa Econômica Federal (leia-se César Borges, Geddel Vieira Lima, Osmar Dias, José Maranhão, etc.), nomear Ministros, ou ainda que tenha de se destruir um patrimônio nacional sólido e que era intocável como a PETROBRÁS, com doações e patrocínios de toda espécie, ou investimentos intrigantes na compra de plataformas superavaliadas!

Todo esse conjunto de fatos e acontecimentos marca de forma intensa o nosso dia a dia, mas não longe de causar abatimento a alguns ou desespero e desesperança a outros. Reconfortante é lembrar que a história é escrita para que, pela tradição, os bons exemplos sejam assimilados e os rumos possam ser corrigidos. A renúncia tanto pode ser um gesto de indolente covardia, como pode ser o reflexo da coragem e da virtude.

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Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público - (de Vitória-ES) agenor_santos@ig.com.br


Cotidiano - Publicado em 18/02/13 às 09:11:24

A Crise mundial atinge o Vaticano? O mundo foi abalado em todas as suas estruturas, com a recente decisão do Papa Bento XVI de renunciar ao mais importante posto na hierarquia da Igreja Católica. Diria que a sua decisão não apenas abala a Igreja, mas repercute em todo o universo, visto que o Vaticano tem uma estrutura não apenas religiosa, mas também de natureza política, pois foi constituído e reconhecido como o Estado do Vaticano através do Tratado de Latrão, de 07 de junho 1929, documento assinado por Benito Mussolini, em nome do Reino da Itália, e a Santa Sé, representada pelo Cardeal Pietro Gasparri, Secretário de Estado do Papa Pio XI. O acordo estabeleceu a soberania do Estado do Vaticano sob a autoridade do Papa, e assim a sua ação transcende os limites geográficos, e transmite poder além das suas fronteiras. Isso para não dizer da forte influência emocional e espiritual sobre tantos fiéis por todo o mundo que se inspiram nos princípios teológicos e de fé transmitidos pelos seus ministros. Quanto aos motivos da renúncia cabem muitas especulações, mas somente após a sua morte é que a verdade virá à tona, visto que a ética e a dignidade do cargo estabelecem limites a serem respeitados, principalmente após a eleição do novo Pontífice.

Renunciar ao poder, seja ele de que natureza, não é uma prática muito comum, seja no âmbito religioso ou político. Em todas as esferas o exercício da autoridade fere interesses de grande diversidade e os mais estranhos possíveis, de forma que a capacidade de resistência esbarra em muralhas às vezes intransponíveis. Se essas forças encontram alguma fragilidade no detentor do poder, então a renúncia é o caminho inevitável. No Brasil, tivemos a renúncia de três Presidentes ao longo de 123 anos de República e sempre as “forças terríveis e ocultas” estiveram presentes.

Pelo que se observa dos comentários em geral, uma forma mais amena de se interpretar e aceitar a renúncia do Papa Bento XVI estaria na debilidade de sua saúde, o que se evidencia como verdade até pelo seu falar e caminhar. Contudo, em algum trecho do texto por ele lido, o papa se referiu ao fato de que estava sem condições de enfrentar “as demandas do cargo”. Pelo mesmo motivo e usando a mesma frase o Papa Celestino V também renunciou em 1294, constituindo-se no terceiro Pontífice a deixar o posto, seguido depois por Gregório XII em 1418, quarto a renunciar antes de Bento XVI, 598 anos passados. Por coincidência ou não, em 2009 o Papa Bento XVI visitou e rezou diante da tumba de Celestino V!

Tendo a Igreja Católica uma história milenar, e alcançando o número de 263 Papas até Bento XVI, ao longo de 2013 anos, não seria de imaginar a ocorrência de eventuais renúncias ao cargo que é vitalício, e cuja competência e liderança espiritual deveriam ser exercidas com absoluta exclusividade. Como tem de pensar e agir também no campo político e econômico do Estado, o Papa se torna vulnerável e vítima dos efeitos dos fatores externos a influenciarem no seu desempenho. É aí que reside o grave perigo, visto que à sua volta se encontra uma centena de cardeais e assessores, nem sempre plenos de pureza, mas, às vezes, movidos por outros insondáveis interesses, a exemplo do recente comportamento do mordomo do palácio que revelou segredos internos. Vale ressaltar, em meio a toda a turbulência do momento, que um dos últimos atos do Papa foi nomear o novo presidente do Banco do Vaticano, entidade jurídica que no mundo dos negócios administra os recursos arrecadados pelo Instituto para Obras de Religião (IOR). O seu ex-presidente demitido, Ettore Gotti Tedeschi, foi alvo da imprensa italiana por “denúncias de corrupção e conflito de interesses entre altos membros da Santa Sé sobre o quão transparente a gestão dos negócios do Vaticano deveria ser” (globo.com, 16/02/13). Também não é segredo que existe uma rede de intrigas internas envolvendo cardeais do alto escalão do Vaticano, o que leva a concluir que não basta ser um Sumo Pontífice, mas, com todo o respeito, o Papa também tem de reunir amplos conhecimentos econômicos e qualidades de gestão empresarial para o exercício do cargo.

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Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público


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